Harmonização de vinhos: dicas para escolher e combinar
Muito além das regras de harmonização, escolher um vinho para acompanhar uma refeição é um exercício de curiosidade e de atenção às sutilezas. Conversamos com Nilcelia Pinheiro, Gerente do Nômade, sobre o que observar na hora de optar por um vinho, como encontrar combinações que valorizam o prato e como se permitir experimentar novas possibilidades à mesa.
Confira abaixo.
Existe uma maneira simples de identificar o estilo de vinho que mais combina com o nosso paladar?
O jeito mais fácil de começar é pelo que a pessoa já gosta de beber e de comer. Por exemplo, se ela gosta de coisas mais leves, mais frescas, mais cítricas, provavelmente vai gostar de vinhos mais leves e com acidez mais presente. Se gosta de sabores mais intensos, provavelmente vai se identificar com outros estilos de vinho, que sejam mais encorpados, com mais tanino.
Qual é o princípio básico para escolher um vinho para acompanhar um prato? O que devemos observar primeiro: o vinho ou a comida?Prefiro começar sempre pela comida, pensar primeiro no prato principal, afinal, a ideia é que o vinho acompanhe a comida e não brigue com ela. É avaliar se o prato tem mais gordura ou acidez, se é mais leve, se tem um molho mais intenso; aí, sim, procuramos um vinho que converse com essas características.
Quais combinações menos óbvias você recomenda experimentar?
É muito legal quando as pessoas dão essa liberdade de ter uma experiência nova. Gosto de incentivá-las a experimentar espumante com fritura, por exemplo, porque ele limpa o paladar e o prepara para receber a comida. Outra combinação inusitada é aproveitar a feijoada com espumante. Também gosto de vinho branco com pratos mais condimentados.
Até que ponto as regras tradicionais de harmonização devem ser seguidas? Existe espaço para ousar?
As regras são importantes principalmente para quem está começando, porque elas dão um caminho e te introduzem a este mundo. Mas não acho que vinho tem que ser uma coisa cheia de “pode” e “não pode”. Depois que você entende a lógica, começa a ousar. No final, se a combinação funciona para você, é o que importa. Às vezes, a harmonização é uma questão mais pessoal.
Qual é o seu conselho para escolher um vinho quando queremos sair do lugar comum?
Tenho dois princípios básicos para quando a pessoa quer sair do lugar comum: ser curiosa e ter a mente aberta. Também é legal conversar com pessoas que trabalham na área, com pessoas que gostam de tomar vinho.
Existe algum vinho que você gostaria que as pessoas experimentassem mais?
As pessoas ainda têm muito preconceito, mas eu gostaria que elas dessem mais oportunidade para os vinhos brasileiros. Temos muita coisa interessante sendo produzida aqui. E também dar chance para vinhos mais jovens, mais leves, mais frescos e com menos madeira. Nem sempre o vinho precisa ser superpotente para ser interessante.
Se pudesse dar três conselhos pra quem quer beber vinho com mais liberdade e curiosidade, quais seriam?
Primeiro, a pessoa não ter medo de falar que não gostou, porque não existe nenhuma obrigação de gostar de um determinado vinho só porque ele é considerado bom ou tem uma pontuação muito alta no mundo do vinho.
Segundo, a pessoa não ficar presa às regras, conhecê-las é importante, mas depois você pode experimentar e descobrir o que funciona para você e pode brincar.
Terceiro, a pessoa provar bastante, que é a parte mais gostosa, e realmente é a melhor forma de aprender. Provar uvas de diferentes regiões, diferentes estilos, principalmente provar o vinho com a comida, porque às vezes o vinho sozinho não chama tanta atenção, mas ele muda completamente quando você o serve junto com a comida.